segunda-feira, 17 de maio de 2010

Literalmente, a cair aos bocados!





No dia 21 de Janeiro foi criado o "Grupo de Amigos da Igreja de São José dos Carpinteiros e Casa dos 24". Apesar dos inúmeros contactos, junto das entidades competentes, alertando para a importância e potencial deste património classificado desde 1978 como Imóvel de Interesse Público e para a necessidade de uma intervenção de emergência que evite a sua destruição, até à data, nada foi feito.

A Igreja de São José dos Carpinteiros e a "Casa dos 24" continuam, literalmente, a cair aos bocados!

O estado de colapso eminente em que se encontra o retábulo setecentista do altar de Nossa Senhora da Fé é apenas a face mais visível da degradação da Igreja. Também o património azulejar da Igreja e “Casa dos 24” está em risco. A instalação eléctrica é precária. Do tecto tombam diariamente pedaços de estuque pintado. Na antiga "Sala da Mesa dos 24" alargam-se as rachas nas paredes. A torre sineira - com seis sinos e uma sineta de excelente qualidade, datados e assinados - está gravemente deteriorada. Alguns sinos estão mesmo em risco de perderem o apoio e de caírem.

Este conjunto classificado, constituído pela Igreja e “Casa dos 24” é notável, é único e é importante, não só para a história de Lisboa, mas também para a história de Portugal!

Parte dos espólios da "Casa dos 24" e da "Irmandade de São José dos Carpinteiros" está, há várias décadas, na posse da CML, ainda por estudar. Entre outro património, existem livros que datam do início do século XVI (o mais antigo será de 1501), instrumentos valiosos e imprescindíveis, designadamente, para o conhecimento da história dos ofícios no nosso país.

Onde está o Presépio?

Em diversas publicações e também na Ficha de Inventário da DGEMN é referida a existência de um presépio em terracota atribuível à escola de Machado de Castro na Igreja de São José dos Carpinteiros (ou São José de Entre Hortas):

“Presépio em terracota, inserto em oratório, representando uma "Sagrada Família" e, em plano secundário, a "Anunciação" e uma "Fuga para o Egipto", encontrando-se o grupo a abandonar a cidade”.

O presépio não se encontra actualmente na Igreja. Terá sido retirado para outra igreja ou museu? Terá ido para restauro? Existem imagens desse presépio?

Alguém sabe onde está?

1755 - Patriarca de Lisboa celebra Missa de Natal na Igreja de São José dos Carpinteiros


Segundo nos foi dito, no Natal de 1755, cerca de dois meses após o Terramoto que destruiu a cidade de Lisboa, o Patriarca, D. José Manuel da Câmara (?) terá celebrado uma missa solene na igreja de São José dos Carpinteiros.
Este dado histórico, a confirmar-se, reforça a convicção que existe de que, ao contrário da maioria das igrejas da cidade, a Igreja de São José dos Carpinteiros pouco terá sofrido com o terramoto. Confirma ainda a importância que foi dada pela Igreja aos representantes dos Ofícios, congregados na "Casa dos 24", na tarefa de mobilização da população para os trabalhos de reconstrução da cidade.

Quem pode confirmar este dado?




Foto

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Que Intervenção na Igreja de São José dos Carpinteiros?




A execução geral da intervenção neste Conjunto Classificado deve ser feita com recurso a mão-de-obra habilitada, de forma a manter os padrões de qualidade da igreja e “Casa dos 24”.


Obras urgentes a realizar:
. É necessário proceder à reparação integral das coberturas, algerozes e tubos de queda;
. A telha deverá ser de canudo com raio de curvatura tradicional;
. As caleiras e os algerozes devem ser de chapa de zinco e devem permanecer à cor natural.

Para melhor conservação das fachadas:
. Deverá ser aplicado um rufo de chapa de zinco no remate superior das empenas e sobre as cornijas;
. Caso se justifique, o revestimento pode ser aplicado desde a caleira até ao remate superior.

Métodos construtivos:
. Devem ser respeitados os métodos construtivos tradicionais.

Compatibilidade dos materiais:
. A substituição dos materiais originais por materiais idênticos e/ou compatíveis só deverá ser efectuada em caso de total impossibilidade da sua recuperação;
. A utilização de novos materiais e outras técnicas só será de admitir quando for absolutamente necessário e quando compatíveis com a estrutura pré-existente.

Exterior
. Deverão ser mantidos e recuperados os rebocos antigos à base de cal;
. Caso seja necessário, deverão ser executados remendos pontuais com argamassa tradicional, de composição compatível com a original, aplicada segundo técnicas que permitam a continuidade do acabamento;
. Caso não seja possível a manutenção total do reboco original, deve ser evitada a sua picagem até ao osso;
. No caso de aplicação de reboco novo, este deve ser à base de cal e areia, compatível com a base existente. O acabamento do novo reboco deverá ser afagado, liso e pintado com tinta à base de água.

Atenção:
. Na aplicação de novo reboco as cantarias devem ficar destacadas 2 cm acima da superfície do mesmo.

Interior
. Os pormenores construtivos e decorativos devem ser mantidos e recuperados, nomeadamente, carpintarias, cantarias, estuques, azulejos, pinturas murais, serralharias e ferragens, etc.




Fotos: Mikael Metthey